Conheça capital alemã sem gastar muito

Berlim pode ser uma cidade jovem, vibrante e criativa, mas durante o longo, frio e escuro inverno toda essa juventude, vibração e criatividade não saem às ruas. Este inverno foi particularmente longo e frio: as temperaturas médias em março ficaram abaixo do congelar e nevou na Sexta-feira Santa.

É por isso que, quando o tempo quente finalmente chega, a cidade inteira sai de uma vez porta afora, usando o mínimo de roupa apropriada e se dirige à vasta coleção de parques, cafés ao ar livre e clubes à beira-rio.

A Berlim interna já é barata pelos padrões europeus, mas a ao livre é mais barata ainda — e muitas vezes gratuita. Assim, durante uma visita em meados de maio, passei o máximo de tempo possível do lado de fora, pegando a transição do sombrio ao glorioso e testemunhando a população saindo da hibernação, provavelmente disputando com os escandinavos o posto de mais descolada do mundo. Eis aqui minhas principais sugestões para um dia ensolarado ao ar livre na cidade. Prepare-se para ter companhia.

Pedalar de graça

Berlim representa o trio do ciclismo urbano: ciclovias onipresentes, topografia praticamente plana e bandos de jovens de 20 e poucos anos subempregados necessitando desesperadamente de transporte barato. Como decidir entre gastar 10 euros por dia no aluguel de bicicleta ou 6,50 euros por um passe diário nos eficientes (ainda que a portas fechadas) trens, bondes e ônibus? É uma charada frugal, mas de solução fácil: BikeSurfBerlin, uma organização simples que empresta bicicletas a viajantes sem custos em “depósitos” espalhados pela cidade (na verdade, nas calçadas diante da casa dos voluntários). Os únicos (e pequenos) poréns são a necessidade de se ter uma conta no Couchsurfing ou no BeWelcome e aguentar um pedido gentil por uma modesta doação. Fiz reserva pela internet e logo recebi um e-mail com o endereço e a combinação do cadeado para liberar minha magrela temporária.

Karaokê ao ar livre (ou mercado de pulgas)

Você já cantou debaixo do chuveiro, quem sabe até num bar. Então por que não soltar o gogó num anfiteatro cheio de berlinenses? Fui a Mauerpark para assistir um espetáculo de karaokê num domingo à tarde que, toda semana ensolarada, enche os degraus recobertos de grafite do local. Infelizmente, foi cancelado no dia em que fui, talvez por causa da leve garoa. Meu prêmio de consolação: o semanal mercado das pulgas do parque, que oferecia brincos feitos com blocos da Lego, volumosas filmadoras soviéticas de 8 mm e muitos outros artigos estilosos, ainda que mais mundanos.

A conexão soviética

Pode botar a culpa na minha infância na Guerra Fria, mas eu tinha praticamente esquecido que a União Soviética foi, ainda que brevemente, aliada dos Estados Unidos durante a II Guerra Mundial. Nunca voltarei a esquecer depois de visitar o grandioso monumento do parque Treptower aos soldados soviéticos que morreram conquistando Berlim na primavera de 1945. Ele conta com 16 sarcófagos de pedra citando Stalin em alemão e russo, além de uma estátua imponente de um soldado soviético segurando uma criança alemã sobre uma suástica esmagada. O resto do parque é muito mais relaxante. Eu atravessei a passarela de conto de fadas até uma pequena ilha frondosa conhecida como Insel der Jugend para beber uma cerveja Maisel’s Weisse com um toque de suco de banana (3,5 euros) na Insel Berlin, “comunidade cultural” com — o aspecto mais interessante para as minhas necessidades — um bar ao ar livre.

Hambúrguer debaixo dos trilhos do U-Bahn…

Instalado num antigo banheiro agora elegante nas proximidades da estação do metrô Schlesisches Tor, o Burgermeister (burger-meister.de) serve cheeseburgers derramando do pãozinho (3,80 euros). O que o local perde em atração bucólica — a refeição é servida em mesas ao ar livre enquanto os trens passam acima —, ganha em delícia.

…e um filme sob a lua

Os meses quentes são por demais preciosos em Berlim para exibir filmes ao ar livre somente uma vez por semana. Aqui, existem opções de filmes e locais toda noite. Porém, o cenário — e a série de filmes — no Freiluftkino Kreuzberg (freiluftkino-kreuzberg.de) é difícil de serem batidos. Eu me sentei numa espreguiçadeira confortável no gramado viçoso do Kunstquartier Bethanien, hospital que virou centro de artes, para ver Paradise: Love (paraíso: amor, em tradução livre), longa-metragem austríaco brutalmente explícito e fascinante sobre uma mulher de meia-idade que viaja ao Quênia como turista sexual. Também existem filmes convencionais (Anna Karenina, Argo), em inglês, e, se for em alemão, com legendas em inglês. Pelo padrão do cinema norte-americano, é barato: 6,50 euros.

Malhando na pista de pouso

O aeroporto Tempelhof foi fechado em 2008, ficando em grande medida intocado, até que, em 2010, virou parque público. O que abriu a possibilidade extraordinária de pedalar pelas mesmas pistas que receberam aviões de carga C-47 e C-54 na Berlim de 1958 e 1959 — e foi justamente o que eu fiz. Todavia, a maioria dos ciclistas prefere a estrada circular ao redor do parque — a pista tempestuosa e a área gramada ao redor dela costuma receber todo o tipo de skate movido a vento. Em outros cantos do parque existem áreas para churrasco, campos de beisebol, canteiros e um campo de “minigolfe artístico”, com buracos criados por artistas do mundo inteiro (5 euros a rodada, embora olhar seja de graça).

Happy hour no canal

Que tal bebericar depois do trabalho no Canal Landwehr? Ah, você está de férias? Bem, então não é muito diferente dos bandos de jovens semiempregados bebendo cerveja (tocando violão e se acariciando) ao longo da ladeira estreita até a beira d’água nas proximidades da Liegnitzer Strasse. Canchas de bocha atraem jogadores e observadores de todas as idades; um pouco mais longe da margem, o Cafe Ubersee (cafeubersee.de) atrai uma clientela mais sofisticada às suas mesas ao lado do canal enfeitado com um salso-chorão.

O lago ao lado do metrô

Conhece a canção Pack die Badehose ein (pegue o calção de banho)? Se você for alemão, conhece. O sucesso de 1951 foi batizado em função do Lago Wannsee, na porção ocidental de Berlim. É uma jornada longa de bicicleta ou um pulo no S-Bahn — pagando mais 1,60 euro, dá para trazer a bicicleta junto. A área chamada Strandbad Wannsee não é uma praia comum — as instalações construídas em 1929 foram reformadas há pouco tempo e cadeiras de praia giratórias para duas pessoas (aluguel a 5 euros) dão sombra e um complemento ao visual à moda antiga. O ruim é a entrada custar 4,50 euros. O bom é que se você não trouxe o calção o banho, não é preciso comprar um: existe um popular trecho de nudismo.

 

Fonte: zerohora.clicrbs.com.br

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